domingo, 18 de fevereiro de 2018

dramas e dilemas

a noite cai.
a luz da lugar para a escuridão
ainda é tão cedo e meu coração já se aperta no peito.
uma morte por noite, quando você não está aqui.

Abro as janelas e deixo os dedos trabalharem, talvez junto com a minha cabeça.
Todo início de meus textos foram pensados em frases chave, impactos.
Impactos pra mim. Coisas que nunca pensei antes.
A lã que de tufo é tecida e vira um fio. Um argumento, um desdobramento.
Lã molhada parecia meu cabelo antes do banho, pensei. Mesmo antes, sem água que o tocasse ele já parecia umedecido.
Um molhado morto tal como são as lãs depois de fiadas.
Se antes eram abrigo pra tempos frios, folículos capilares de seres que tem fome, sede e sangue.
Agora são apenas fios tingidos de azul, preto e outras infinidades de cores. Fios que viram formas e aquecem outros corpos no inverno. Corpos que também possuem fome, sede e sangue.
E o meu desenrolar das coisas leva pra que tipo de formato? O fio que conduz - com paciência vez sim, vezes não - meu raciocínio é emaranhado diversas vezes distintas sobre o mesmo tema contemplativo.
A lã cresce de novo no animal pois o folículo se faz presente até a extinção da vida individual.
Minha cabeça é uma tecelã cega que trabalha exclusivamente com as mãos.
As mãos falham como a visão.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Aleatoriamente

Ha dias eu venho sentindo uma dor estranha, acompanhada de uma leve sensação de enjoo. Uma dor abdominal, levemente pendente pro lado direito do meu corpo...com leves fincadas e salmoura salivar.
Más há tesouras para afiar agora que voltou a fazer calor. Apesar que possuo um ventilador que faz um barulho exaustivo não muito diferente (mas menos intenso) do que o compressor de energia.
Minha marmita não carrega mais o arroz de todo dia, ele fermenta nas minhas entranhas.
Um cachorro preto ontem dormiu no banheiro dos pacientes. Ele olhava a comida que demos bucolicamente como se fosse um grande advento, um retrato ou paisagem. Não abanou o rabo, não nos fez festa (como é típico de um cachorro). Apenas assentiu, comeu o que sentiu vontade e voltou para os ladrilhos frios que o aliviaram nesse sol cambojano.
Possuo truques de palavras típicos da minha personalidade. Meus ouvidos coçam muito ao expelir secreção. Mudo de assuntos com facilidade.
Não sei fazer fins apoteóticos nem terminar textos adequadamente.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

abra os olhos

esses dias eu estava praticando em ser prática por motivos que muito cabiam no meu bolso.
agora está na hora de varrer a poeira de dentro dos bolsos para fora, aspirar o ar pesado inflando os pulmões para que meu peito queime e eu relembre o porque de chegar até aqui.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Naifa - Monotone





"Antes de saíres para o trabalho, arrumas à pressa o dia anterior
Para debaixo da cama.
Antes de saíres para o trabalho, guardas o coração
ainda adormecido bem dentro do teu corpo
Ainda adormecido
E esqueces essa canção que já não passa na rádio
Mas que vive secretamente dentro de ti
Fechas a porta à chave com duas voltas e sais."
4 minutos antes.
apenas 4 minutos antes e tudo seria mais igual do que o esperado.

Plateau

Reto, linha fina do sinal
meu sentimento
em detrimento
deprimente
quente, gás de cozinha
queima internamente

saio de mim, sem fim
corda que puxa no alvorecer
penso, analiso
deixo meu coração partido
enquanto tento
em vão recolher os cacos de mim
nesse piso

em três acordes finais
me perco
em seu recomeço
de rimas fáceis e burras
sou tua
minha, nua
crua
vazia