sábado, 9 de dezembro de 2017

Andrew Solomon - Depressão, o segredo que compartilhamos

GRATILUZ É O CARALHO

(pq o 'muito obrigado' é mais sincero, mas caiu em desuso)

notas ruins sem inspiração

hiato no blog significa que os dias andam cheios e a oficina do diabo bem vazia.
na verdade as palavras não somem, só pairam no ar esperando a hora certa de incorporarem. as palavras são só o que me resta nos dias em que nada controlo.
eu disse uma vez pra uma amiga que escrever sobre a ausência da escrita também é uma escrita, um texto, uma dissertação.
mas eu mesma não sei catalizar a inspiração de dias calmos e alegres. dias simples de sonhos sendo realizados.
eu preciso mesmo é de uma boa fodeção pra narrativa. uma história triste, um engasgo, um engodo, um passo em falso, um cadafalso.

(enquanto isso o que me resta é publicar coisas como essa pela simples necessidade de escrever)

domingo, 19 de novembro de 2017

Hot dog do tio

Aquela mordida e a sensação de voltar anos no tempo.
A pracinha da Glória e as rodas de violão. "Eu estudo no Firmo". Seu sinal estridente. 20 minutos de recreio eram a eternidade.
Ouvir Nirvana no inverno me sentindo em Seattle usando as blusas de flanela xadrez. Passear na João César com fones no ouvido e discman na mão (os CDs iam na mochila Jean velha onde estava escrito meu grito de guerra "eu odeio bife de fígado"). Sinuca ainda era proibido por ser menor de idade. Fazer tubão de pinga garotinho com guaraná picolino e ir pra praça dividir com os amigos. Colar as fotos das bandas na capa do caderno da escola. Descobrir alguém que tinha um cd raro e ir atrás levando consigo algum cd em troca só pela confiança até q pudesse gravar sua cópia na fitinha. BASF de metal era caro.. só pra banda muito favorita. Calcular tempo. 30 min de cada lado. Fita de 90 era raridade.
Amar o frio na cidade e ver de longe aquela camada de poluição da cidade industrial amarelado sob as casas e o céu acima azul. Achar paia ir na Arena mas ser amigo de todo mundo que ia lá. Ir no Big colocar rock na máquina de música e fazer amizades com quem usava a camiseta da sua banda favorita. Beber keep cooler e se achar um máximo. Beber cerveja e se sentir adulta.

Mal sabia que ia sentir tanta falta desse tempo,dessas ruas.

Ah Eldorado. Meu El Dorado.
Tudo isso por uma mordida num cachorro quente.
O sabor é o mesmo de 20 anos atrás.



domingo, 12 de novembro de 2017

"Quero que você me faça um favor..."



dei dois tragos (nervosos) no cigarro.
sempre eles, os tragos.
ouvi sua voz - chorosa - do outro lado. me pedindo desculpas, sempre cheia das desculpas.
perdi o controle, você disse.
e eu continuava irritada com o chiado da ligação.
e continuava tentando te ouvir sem me irritar.
suspirei tão alto que do outro lado você ouviu. e como mágica você se calou. (já que não se calava com quase nada)
olha, eu disse, eu não quero ver você.
eu não quero ouvir mais você.
pegue sua verdade e vá embora.
deixe-me com minha vida, meu sobrepeso, meus fracassos, meus cigarros, a cerveja que não tomamos juntos.
pegue sua mochila e vá embora.

"meu jardim, seu quintal. sempre a mesma flor. hoje não: cada um dentro do seu mundo. navegando contra a solidão"

sábado, 4 de novembro de 2017

Encontros e Desencontros

Eu pensei o dia todo. E pesei o dia inteiro. Racional e irracionalmente sobre tudo que floresce e morre.
Nessa vida somos plantas, alguns mais flores do que outros. Vamos "dar no nosso pé" o que nos for regado.
Eu fui regada com o doce e o amargo. Tive adubo e sequei por falta de água. Apanhei sol e apodreci na sombra.
Sou resultado de mim. Cada marca, cada cisco que entrou no meu olho e insistiu em me fazer chorar.
Resplandecia as vezes conforme a fase da lua andava.
Hoje, com a lua crescente sobre minha cabeça, em trânsito pro lugar onde escolhi como lar eu tive um presságio.
Pressentimento de dois sóis no céu, excesso pós escassez... alimento de alma que jamais havia conhecido antes ocasionado pelo silêncio.
São pelo menos 5 anos.
Em meio a detritos de abandono, teve quem fez dos meus escombros um lar e deu vida aos meus musgos que se transformaram em plantas.
O eu-planta fotossensível que agrupa um sem fim de sofrimentos e histórias que - pudera eu - serem contos da carochinha.
O eu-mudo que colheu sensibilidade alheia tarde demais.
E não seria a vida uma sucessão de "tardes demais"?



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

one is the loneliest number







[Todas as fotos tiradas por mim, J. , com câmeras e métodos distintos, bem como os anos e locações. Free Copycat - cite a fonte se for da sua vontade e/ou consciência.]